I'M STILL ALIVE!...
E foi então que, após mudar o estendal de roupa e desentupir o cano do lava loiça, o meu pai exclamou como quem dá a dica: “Vês? Devias de ter um homem em casa para fazer estas coisas!”.
Resposta na ponta da língua da visada:
“Não é preciso nenhum homem, tenho um pai!”
Esta poderia ser a frase ideal para vender resmas de cartões relativos ao “Dia do Pai” mas não é mais que a simples constatação de uma gaja solteira há 27 anos. Quando o nosso próprio cão começa a fazer campanha exigindo mais presença masculina, tornamo-nos profissionais no tiro resposta.
Quando quiser vedar o autoclismo, enfiar buchas, colocar dobradiças novas nos armários é só pegar no telefone e ligar para a Linha Pai – serviços de bricolage e arranjos vários (excepto os eléctricos, para isso chama-se o Tio Manel Sartainho – na minha família, todos os homens têm alcunhas estranhas! - ) Se as necessidades imediatas recaem no cose e costura, mezinhas medicinais e emergências veterinárias, liga-se para a Linha Mãe e fica o caso resolvido.
O que fazer em caso de simultânea ausência do posto geneticamente seu por tempo indeterminado? Aí, meus amigos, recorre-se à mitologia da banda desenhada e é ver nascer das cinzas do caos o novo super herói (na).
Mãe no hospital, pai na Bélgica - chamem a SUPER RUTE!
Durante um mês mais umas semanas extra tive de assumir o comando da loja da minha mãe, o aluguer da loja do meu pai, a passagem do testemunho da alimentação dos cães do sr. Vilão Mauzão. E AINDA... velar pelo bem estar da Linda que é, seguramente, a cadela mais azarada do mundo ao contrair, simultaneamente, leishmaniose e doença de verme do coração. A Blackie também contraiu uma doença maluca que causa temporária paralisia muscular –
poliradioculoneuropatia(desafio-os a repetir esta palavra 3 vezes seguidas!). Consigo imaginar o eterno arqui inimigo dos animais domésticos como fonte de inspiração para um novo concurso televisivo made in TVI – “SOLETRE A DOENÇA!”
A Vida de super heroína não é pêra doce e, tendo em vista, minorar o esforço, nada como um meio de transporte à altura da heroína... ou não... O (pesado) Renault 5 do meu pai foi o que se arranjou e, apesar do seu bitchy temperamento motor, eis a oportunidade de ter um carro na minha posse um ano depois de ter tirado a carta.
“Correu tudo bem?” perguntam vocês.
Estacionamentos impecáveis: 50, menos impecáveis, 10
Manobras perigosas: 0
Transgressões: 3 (antigamente o risco não estava contínuo! – o facto de ser um polícia a relembrar-me que o sinal proibido virar à esquerda, quer dizer isso mesmo, sem qualquer penalidade, só reforça a minha defesa)
Idas à Bomba da Gasolina: 2
Lavagem de carro: 1 (self service car wash rules!)
Número de peões atropelados: 0
Ameaça de atropelar peões: 3 (mereciam ser atropelados!)
Afogamento de gasolina: 10 (Conselho do meu pai: “Abre o ar se o carro estiver frio”)
Nº de vezes que o carro empanou: 2
Nº de vezes que foi necessário empurrar o carro: 1
Nºde vezes que o carro mobilizou em subidas: 3
Nº de vezes que empatei o trânsito por estar empanada: 3
Nºde mossas no pára choques: 1 (o diminuto marco de pedra no passeio ATACOU-ME POR TRÁS – o cobarde!)
Nº de litros cúbicos de suor transpirados devido ao esforço da direcção nada assistida e pesada embreagem: 1
Conselhos que falharam em ser partilhados- Fechar o ar assim que o carro arranca
- Fazer subidas acentuadas em 1ª (mesmo que o carro esteja embalado)
- Após afogamento, dar à ignição acelerando continuamente até pegar, carregar no acelerador estilo Código Morse não surte qualquer efeito.
É verdade que sou muito poupada nas mudanças, estilo a 2ª dá para tudo. Porém, no carro do meu pai e dentro das localidades a 2ª dá para todas as eventualidades, excepto nas subidas. Aí temos de pôr a 1ª sob pena de ficarmos empanada no meio da dita... subida...não mudança. Ignorando esses pequenos pormenores, correu tudo sobre...(er)...rodas.
Oito horas diárias na loja da minha mãe fizeram de mim uma
LEAN MEAN KNITTING MACHINE. Sou guerreira do tricot, as minhas armas – as agulhas circulares (fato spandex tricolor com calções em crochet, capa em bago de arroz tricotado, pois claro!) Estar numa loja de lãs e retrosaria e ter acesso à “Bíblia” de tricot da Maggie contribuiu para tal estado de obsessão. Casaco, mangas para colete, cachecol, poncho – prontos. Blusa com desenhos, mohair e mini casaco – me aguardem!
O actual cartaz de cinema não me satisfaz. Nenhum filme reacendeu a minha paixão pelo cinema. Será possível que o Mundo como eu o conheço está a desaparecer?! O Bush foi re-eleito, o Santana Lopes é primeiro ministro, o clima metereológico mundial assemelha-se ao “Dia Depois de Amanhã”, por isso, tudo é possível...
Até os REM reconhecem: "Its the end of the world as we know it"
Nada que a Super Rute não resolva...certo?
Bjo
Rute