"THE END"?
Estou a meia dúzia de filmes de me tornar numa dissidente do Cinema.
Ou o actual panorama cinematográfico está em crise criativa ou o meu entusiasmo e paixão pelo Cinema foi de férias para uma qualquer ilha exótica por tempo indeterminado e esqueceu-se de me avisar.
É grave. Pior, é muito triste.
A falta de emoções fortes e arrebatamento nas salas de cinema arrastou-se num árido ermo cinematográfico onde a melhor apreciação de um filme consiste num encolher de ombros e a seguinte resposta. “Gostei... (suspiro longo) mas...”.
Onde está o arrebatamento? A falta de fôlego? A vertigem emocional da beleza de um filme que fica connosco durante semanas? O riso, a paixão, a gargalhada, a emoção? Cadé? Eu digo-vos. Foi visto pela última vez, algures em janeiro deste ano com “Garden State” e depois PUFT, desapareceu para nunca mais voltar. Normalmente estas crises manifestam-se na época balnear onde o cartaz cinematográfico é pobre e insípido, porém, passados seis meses, sou incapaz de apontar um filme digno de registo na minha lista de filmes “uau” e vejo-me restringida à gula libidinosa da visão do tronco desnudado do Hayden Cristensen no ponto final da prequela Guerra das Estrelas. Sim, o Anakin virou Darth Vader e daí??! Colocam-me o maior ícone da vilania, tirano de respeito, com o desabafo chavão: "NOOOOOOOO!!"
Haja Dó!
Em terrenos de orçamento e confecção mais modesta, “Em Boa Companhia” de Paul Weitz, antevia uma mudança na pasmaceira cinematográfica e até incluía Damien Rice na banda sonora, após a cena memorável do interlúdio romântico de Scarlett Johansson e Topher Grace mas espalha-se completamente ao comprido com a gritante falta de entrega emocional das personagens num final insípido.
À falta de emoções fortes no escuro do cinema, procuro refúgio na música. Porque o Damien Rice tem fundamentos suficientes para me processar em tribunal por assédio auditivo (o Tim ofereceu-me um cd ao vivo do senhor que esgotou no site da Amazon e que ele comprou numa “garage sale” pela módica quantia de 70 cêntimos!) vejo-me forçada a virar-me para outras pastagens.
Em Maio, tive o privilégio de assistir à Ópera Carmina Burana ao vivo no teatro São Carlos. Quem me conhece bem, sabe que esta ópera é a minha perdição e presença habitual na minha aparelhagem que estremece com volume ao máximo (vidros incluídos). Mas, nem mesmo o volume ao máximo consegue superar a apresentação ao vivo – com direito a tradução electrónica pela módica quantia de 10 euros.
Foi lindo, estonteante, arrebatador, levou-me o fôlego, levou-me às lágrimas, arrepiou-me a pele, arregalou-me os olhos e, confesso, só não me fez vir ali mesmo na cadeira do São Carlos por estar ensanduichada entre dois distintos senhores que mal conhecia e já bastava o embaraço de estar de olhos fechados, trauteando a ópera que por acaso é em latim e italiano e, pelos vistos, é bastaste provocante.
"Um homem e uma mulher fazem no quarto aquilo que a natureza quer..."
"Desejo um amante que me desflore..."
Ena, eu bem dizia que a ópera era orgásmica mas cingia-me à explosão instrumental de uma melodia que arrebata.
Debruçando-me no assunto:
"música que arrebata"
mais a fundo, chego à conclusão que foi a música e não as imagens que definiram o meu amor pelo Cinema.
O gosto pelos musicais e o instrumental cinematográfico acompanhou-me desde os cueiros. Tinha um timbre de voz musical e não há vizinho que não se lembre das minhas cantorias que levavam os meus pais à exaustão auditiva. Na sala de cinema a preferência tombava para as scores do John Williams e os filmes da Disney (nada é mais cantarolado) onde a música encarregava-se da catarse emocional mesmo não percebendo patavina do se estava a passar.
Muito antes de saber o que era uma sala de cinema, já consumia filmes através da Televisão. A minha atenção recaía nos grandes musicais dos anos 30 e 40 e as comédias dos anos 50, sempre com cantoria de fundo e influência teatral. Gene Kelly, Judy Garland, Fred Astaire e Ginger Rogers, Frank Sinatra, Dean Martin, Jerry Lewis e Elvis Presley eram os actores da minha preferência numa época que não fazia ideia quem eram, muito menos os títulos dos filmes que protagonizavam.
Desde que houvesse cantoria ou números musicais, os meus olhos e ouvidos fixavam o preto e branco do ecrã para apenas despregar quando aparecia a palavra
"Fim" (daquela época, os créditos surgiam no início do filme que culminava com o actualmente desaparecido
"The End").
Resta saber se a paixão que sempre senti pelo Cinema não estará igualmente à beira do “The End” e o mundo como eu o conheço transformar-se-á para sempre.
Que tal sair do tom melodramático e salientar que a época do cinema ao ar livre está à porta? Uma das raras alegrias desta estação do ano que tão veemente abomino.
Estão agendados dois festivais, o
Optimus Open Air
com o publicitado “maior ecrã do mundo” – meus senhores preocupem-se com o cartaz e deixem lá as expressões megalómanas – a decorrer na doca de Santos e inclui noites bem passadas (dizem eles) assistindo a concertos após a sessão de cinema. Devido a esta particularidade, o bilhete custa a ofensiva quantia de 12 euros. CHULOS! Porém, o Luís veio em meu auxílio com o anúncio que os portadores de carteira profissional têm direito a um passe credencial diário. Para além de algumas estreias, o Open Air apresenta grandes pérolas do cinema ao virar do séc XXI que funcionará como um escape à tal questão do ermo cinematográfico.
Já lá estive, de máquina em punho (oh saudades...) e estreei a adorada lente “olho de peixe” (a tal que demorou um ano a descobrir um anel adaptador 62-32mm e que fui descobrir nos confins de Sta. Apolónia). Minha rica lente que fez fotos Lindas, LINDAS.
Em Agosto, o Inatel apresenta o seu cartaz no Estádio 1º de Maio entre Roma e Alvalade e promete o grau de entusiasmo de anos passados por uma quantia bem mais acessível.
O Verão serve mesmo para espantar o “fantasma” do mau cinema com reposições à escala gigante. Moulin Rouge já no Domingo!
Ainda há esperança....
Bjos
Rute
MISS ME...MISS ME NOT...
Meus amores...
Para impedir que caiam nas malhas da desactualizarão e evitar o risco de me encontrar com alguns de vocês, surgindo a questão “o que fazes?” (argh) Eis as últimas novidades.
Um “lapso” do Centro de Emprego levou à anulação da minha proposta de bolsa para o curso de legendagem, que me deixaria na bancarrota no final de Julho se, entretanto, não encontrasse um part-time na única empresa que me oferece um salário. Adivinhem lá, qual? Oh que grau de dificuldade. Ofereço 1 cêntimo a quem souber responder.
O curso de tradução e legendagem é muito interessante e estou a gostar da experiência. Defino a legendagem como um puzzle enigmado que cada um decifra de maneira diferente. Se o curso irá traduzir-se em trabalho pago, é a eterna questão n’est pas? Dizem as professoras que trabalham na área “este é um trabalho mal pago mas fascinante de outro modo mudávamos de emprego...” Soa a linha de trabalho que combina comigo, especialmente a parte “mal pago”.
E por falar em pagamento, após muita persistência e dedicação do Luís e os seus muchachos – sendo eu a única muchacha – o
cinéfilos está ligado ao IOL o que antecipa a ideia de “trabalho pago”. Could it be?!?!!? (cof cof) Bem, ainda funcionamos a meio gás, sem o design proposto pela IOL mas pouco falta para zarparmos para terras mais prosperas.
A Super Rute continua em campo a salvar o mundo animal da sua nemesis que é como quem diz inimigo figadal- o Sr. Vilão Mauzão. A nossa heroína entrou por caminhos obscuros e de arma em punho filmou as actividades vilãs do seu eterno inimigo resgatando, num prazo de um mês 5 cães. Todos foram reencaminhados excepto a Flora, cruzamento entre serra da estrela e golden retriver – uma belezura muito meiguinha. A super Rute encontrou o fiel
"sidekick" Nunoque ajudou na montagem do vídeo todos vocês deviam seguir-lhe o exemplo tornando-se sidekicks super heróicos divulgando este caso que pode
ser:
Visto ,
Ouvido e
ConsultadoAgora sei como se sente o Peter Parker / Homem Aranha ao prescindir da presença no concerto dos Duran Duran para mais uma missão de salvamento canino. Ok, pronto, os bilhetes estavam esgotados um mês antes MAS, quem disse que eu não conseguiria seduzir e manipular o John Taylor a incluir-me na guest list?!
É com grande satisfação que comento o meu último sonho que, não só tinha como protagonista a minha pessoa e o Brad Pitt no que me parecia uma versão trailer alternativa de Mr. e Mrs Smith, como Euzinha beijei o senhor Pitt- ALELUIA SARAVÁ MEU PAI!!
Finalmente um sonho com algum proveito libidinoso.
Bem, para falar a verdade foi mesmo um toque de lábios enquanto o Brad Pitt corria para uma qualquer missão (ao menos os meus sonhos são mais excitantes que os filmes que vejo) mas mesmo assim. Ok, não vale a pena disfarçar, a verdadeira razão porque o Brad se separau da “amiga” Aniston não tem nada a ver com o Angelina Jolie mas a minha pessoa.
Who needs Angelina Jolie when you can have me! Sinceramente...
(AH!AH!...)
O tricot está em hiatus (2 tops uma camisola) e lentamente estou a retomar o ritmo de leitura com uma sugestão da Sofia : “O Navegador Solitário” de João Aguiar. Já tenho uma lista cheia de “must reads” e PROMETO GREG, o próximo livro ao qual dedicarei a minha atenção será o teu.
E por falar em leitura, aconselha-se vivamente a leitura atenta desta Newsletter para evitar maus resultados de um quiz denominado “How well you know Ruth?”
That’s all folks...
Rute