A saída da Kodak, permitiu inscrever-me como assistente de fotografia da Kodak Eventos - estas coisas acontecem sempre nos fins de semana.
Confesso que gostei bastante da experiência. Para quem não planeia casar-se e tem alergia a aglomerados de famílias, adorei o que descrevo como: perpétuo estado emocional que se vê no filme "Quatro Casamentos e Um Funeral" (e todos os filmes com a marca Richard Curtis)
Não gostei - NADA - da política "Não funcionamos com filmes portanto tem de alugar o equipamento digital e descontamos 25 euros do total"
O QUÊ!?!?!?!?!?!??!?! Que optem pelo digital, ainda percebo, já que as fotos são vendidas na hora e há pouco tempo para passar de filme para digital, mas cobrar essa exorbitância?! Tenho escrita no testa: "VÁ LÁ- EXPLOREM-ME!" (só pode).
Em abono da verdade, já ganhei menos por fazer mais, mas custa perceber que fiz mais com as comissões de vendas que o que pagam aos assistentes.
O Ricardo (o fotográfo principal que curiosamente me fez lembrar o meu crush do Secundário) é que tem razão. Investe no material e faz isso sozinha!
Isso. Só faltam 2000 euros!
Até lá, resta cruzar os dedos, fazer a dança dos assistentes de fotografia e esperar que, tal como no filme, haja um casamento todas as semanas.
Apesar de me calhar um flash 3XPTO que, de certeza, tocava piano e falava francês, assim soubesse como accionar essa opção, a coisa correu bem. Já tenho especialidade: Grandes planos, capturar beijos e perseguir crianças e jovens casais para que os pais comprem as fotos.
Eis-me de volta às lides fotográficas. Abençoada decisão de ter uma agência de comunicação a organizar (e adaptar) o Festival Creamfields. Pelo menos, aceitaram o estatuto de Free lancer - essa bela palavra do vocabulário anglo saxónico, que se traduz por "sim, nenhum meio me emprega mas, caramba, posso fotografar por conta própria e quem quiser compra as fotos, quem não quiser, azar" –
Não sou adepta de festivais, mas com a acreditação, tenho a oportunidade de reencontrar pessoal amigo que raramente vejo em dias não sacrossantos. Lá estavam o Filipe e o amigo João Viana. Nestes reencontros fico sempre a saber pormenores importantes, desta vez – como viajar a (muito) baixo custo. Londres a 2 cêntimos?! Lancem o fogo de artifício – Damien Arroz Doce, aguarda o meu regresso! Atenção que o ponto de encontro foi o IMEN! Erro disléxico da minha parte. O que queria mesmo escrever em sms era “INEM”. O certo é que nos encontrámos perto dos balões de ar quente que não levantaram voo dado o vento e o frio glaciar que se viveu naquele recinto. E eu de sandálias e vestido de Verão!
Outros percalços do festival cremoso, ou como o João o apelidou: DISNEYLÂNDIA –35 mil pessoas em fila para qualquer lado, cada um dos 6 palcos temáticos, casa de banho, banca de comida, barraquinha de oferta de brindes, etc. etc. Outra razão para preferir presença em festivais com acreditação jornalística – direito a snacks sem fila! O Filipe tinha razão, aquela sandwich de mozarella era divinal.
Acreditação para o festival compensou infrutíferas tentativas de ganhar o bilhete em passatempos, fazendo figuras tristes em vídeos caseiros (felizmente nada foi colocado online - uff). Também significou ver Placebo ao vivo. Secretamente desejava que a situação capilar de Brian Molko fosse actualizada – e a inspiração em palco também...
O cabelo de Brian Molko já cresceu mas o mojo dos Placebo perdeu-se algures entre a tournée "Sleeping with Ghosts" e o novo (e excelente álbum) "Meds". Pior que isso, os Placebo estiveram em piloto automático e o público mostrava mais entusiasmo que a própria banda. Sendo a oitava vez que os via ao vivo, percebi logo que algo não estava bem. Abandonaram o palco sem regressar para o encore que incluía os apoteóticos "Running Up That Hill" e "Twenty Years". A razão não foi nenhuma das alegações anti homossexuais do João.
– Pessoal, actualizem-se, o Brian Molko no que toca a quecas é bissexual, mas apenas mantêm relações sérias com GAJAS! Até já tem filiação.Coitado do rapaz da voz sexy, perdeu a voz e não conseguiu continuar. Já acreditam quando digo que estava um frio do caraças!
Quando tudo estava a correr bem, até tinha estacionado o carro do meu pai perto do recinto e consegui chegar à Bela Vista sem problemas, deparo-me com a advertência, no mínimo irónica. Freelancers não estão autorizados a fotografar Placebo. Argh...Adiante.
Eu e o João aguentamos ao frio até 1da manhã (Ei!) para fotografar Prodigy e dar de frosques, mas eis que, do antárctico da Bela Vista, surge a banda que, parafraseando a Ivete Sangalo "levantou poeira" . Em grande forma física e vocal, Maxim e Keith (ainda de aspecto assustador) injectaram adrenalina no público, discorreram sucessos como Breathe, Smack My Bitch Up, Firestarter, I’ve Got The Poison com a mesma energia que percorriam o palco de ponta a ponta. Perdi a conta do número de vezes que Maxim (que descrevo como uma versão masculina de Skin dos ex Skunk Anansie), incitou o público com as palavras de ordem "Are you ready portuguese people?" Mais, atravessou o público em plena actuação, subindo monte acima, tal Moisés atravessando o Mar Vermelho. Surpreendentemente, ninguém ousou tocar-lhe, não sei se, por temer hostilidade (o Maxim mete respeito!), ou pela eficácia dos 3 seguranças pessoais.
Resumindo, acordei do entorpecimento e aqueci os meus pézinhos. Contudo, a aventura cremosa não termina aqui. Nada disso. Avanço para a parte em que, já no carro coloco as chaves na ignição e nada aconteceu. Nem um vrum, pip, ploc ploc. Nada, nicles, népia. O carro simplesmente calou-se. A bateria estava bem, mas o carro, esse, ficou impávido.
Ao meu lado, o João, olhava para mim com a expressão de sono, normal às 3 da manhã. Quando balbucio um tímido: "Será que tem falta de água?!", ele larga uma gargalhada típica de gajos que pensam: “Gaja que é gaja não percebe nada de mecânica!” Solução: Assistência seguro directo.
"Estaremos aí às 3.26 Exma. Sra. Maria da Graça".
Hein?! Quem é a Maria da Graça? Com Graça ou sem Graça, o reboque chegou com a certeza que o problema era o motor de arranque. Aplicou-se a velha técnica do "Empurre aí" e lá fomos. Na Ponte 25 de Abril mais uma surpresa. Operação Stop. Depois de uma hora de pára- arranca para atravessar a ponte, um polícia mandou-me encostar.
Boa noite. Para onde vai? pergunta com autoridade. Fogueteiro, Seixal - respondo É sempre em frente – finaliza.
DUH! Uma hora para atravessar a ponte, sempre com o pé na embreagem, não fosse o carro abaixo e ficava ali empanada e é isto. Eu sei qual é o caminho pá!
Da fila interminável, o festival cremoso não se livra...
Toquem no Pacman(salvo seja) para aceder à galeria e ver as fotos
O palco tinha imensa luz o que complicou a leitura, malditos holofotes kamikases que piscavam sem aviso. Gostei especialmente da parte em que o Maxim passou por mim para saudar o público e eu com o rolo terminado.
You never thought a life as dull would be so entertaining...
Believe me. It is!
A minha vida dava um filme, daqueles trágico cómicos. A sério, uma vida tão desinteressante nunca foi tão divertida...